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'Facilita, Mana' abre nova turma em grupo de apoio para mulheres vítimas de violência

Profissionais do Direito e Psicologia oferecem suporte via redes sociais

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Foto: ARQUIVO PESSOAL - Profissionais do Direito e Psicologia oferecem apoio a mulheres vítimas de violência

Guilherme Gandini
Editor-Chefe

Um projeto liderado por jovens mulheres para ajudar outras mulheres. Essa é a essência do 'Facilita, Mana!', movimento criado em Catanduva durante a pandemia do coronavírus com intuito de orientar, sobretudo, vítimas de violência doméstica. O grupo está com inscrições abertas para formar uma nova turma de orientação e apoio.

Bianca Alfieri, bacharel em Direito e uma das idealizadoras, explica que a plataforma virtual de apoio às mulheres é conduzida por ela junto às advogadas Júlia Lavrador e Laila Favato e as psicólogas Cibeli P. Freitas e Letícia Nunes. Juntas, elas disponibilizam conteúdo nas redes sociais e conduzem os grupos de suporte jurídico e psicológico às mulheres.

A história do 'Facilita, Mana' começou com Laila Favato e o ímpeto de trabalhar com causas de direito da mulher, violência doméstica e direito de família. Ela passou a produzir conteúdos informativos nas redes sociais e logo juntou forças à colega Bianca Alfieri para produção de vídeos sobre o tema. O trabalho logo chamou a atenção das psicólogas.

Em entrevista ao Jornal O Regional, cujo vídeo pode ser conferido nas redes sociais, elas contaram um pouco sobre o projeto, relacionamento abusivo e o papel da sociedade e do poder público no enfrentamento ao problema, que teve índices crescentes durante a pandemia – à medida que vítima e agressor passaram a ficar mais reclusos em casa.

“A violência começa na área psicológica, geralmente antes da física. O que orientamos é que as mulheres prestem atenção a indícios que o agressor dá no início do relacionamento, como controlar redes sociais, olhar celular, não deixar usar determinadas roupas, tentar afastar a mulher dos amigos e familiares”, comenta Cibeli.

Segundo ela, quanto mais sozinha a mulher estiver, mais fácil do agressor mantê-la dentro da relação. “Sua família é contra nosso relacionamento, melhor eles não saberem o que acontece. Aquele seu amigo, acho que ele é afim de você, é melhor não ficar perto dele. Essas são situações que o agressor vai criando e a vítima vai acreditando, continua o relacionamento e não consegue enxergar o que pessoas que estão de fora enxergam.”

Para quem conhece alguém que está passando por essa situação, a profissional recomenda que a pessoa não saia de perto. “Por mais que a pessoa tente se afastar, continue por perto, mande mensagem. Quanto mais sozinha, mais difícil será sair do relacionamento”, frisa.

Bianca Alfieri frisa que o grande desafio está em disseminar a informação. “Muitas mulheres passam por um relacionamento abusivo e não sabem. Acham que a violência seria só a física. Daí a importância da informação, principalmente para as mulheres mais vulneráveis, que não têm acesso a internet.”

PODER PÚBLICO

Na opinião da advogada Laila Favato, o poder público não está preparado para acolher as mulheres vítimas. “Na maioria dos casos, ela tem que ir na Delegacia Seccional, só depois na Delegacia de Defesa da Mulher, são dois depoimentos. Não tem Vara do Juizado Especial da Mulher, tendo que ir na Vara Comum, o acaba sendo acúmulo de demandas”, aponta.

Cibeli reforça a visão. “Precisa de mais profissionais na rede pública para dar conta. A mulher precisa de apoio psicológico para terminar o relacionamento abusivo e depois também, de forma contínua. Precisa do apoio para não voltar, nem se envolver com outra pessoa do mesmo perfil. É um relacionamento que destrói a autoestima da vítima.”

O grupo lamenta a falta de uma casa abrigo específica para mulheres vítimas de violência doméstica na região, pois nem sempre a medida protetiva é suficiente. Há casos que, segundo elas, a mulher precisa sair da residência onde convive com o agressor, mas não tem para onde ir. Em um dos casos, a mulher e os filhos foram encaminhados para a Casa de Passagem, onde estão pessoas desabrigadas e, em sua maioria, envolvidos com álcool e drogas.

COMO FUNCIONA

O 'Facilita, Mana!' é voltado às mulheres que sofreram ou sofrem violência doméstica ou relacionamento abusivo e tem como objetivo não só apoiar, mas também passar informações jurídicas e acolhimento psicológico. São cinco encontros virtuais organizados conforme as necessidades das mulheres verificadas no primeiro encontro, sempre visando a escuta ativa.

Desde o início do trabalho, 15 mulheres receberam o auxílio jurídico e psicológico. Para conhecer mais sobre o projeto, basta procurar por @facilitamana no Instagram. O link para inscrição no grupo de apoio gratuito está disponível na biografia da página. Basta clicar, preencher o cadastro e aguardar o contato das integrantes do grupo.