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Nos primeiros meses deste ano, demissões foram maiores que as contratações

quinta, 02 de julho de 2009, 18:35
Por: Lívia Gandolfi

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Para amenizar os efeitos da crise, o governo adotou uma série de medidas para incentivar o consumo e não estagnar a economia.
Indústria automobilística, comércio da linha branca (geladeiras, fogões, lavadoras e tanquinhos) foram alguns dos setores beneficiados.
A Construção Civil não ficou de fora. Os juros que incidem sobre os materiais de construção foram reduzidos, o que fez algumas lojas do ramo sentirem um aumento de 5% ao mês, com a venda desses produtos.
Porém, os investimentos, ao que parece, não têm surtido efeito para a Construção Civil registrasse um aumento na contratação de mão-de-obra. Pelo menos, é isso que mostra o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Com exceção dos meses de janeiro e abril, os demais registraram maiores índices de demissão que de contratações.
Em fevereiro, de acordo com o Caged, o setor contratou 54 funcionários, mas demitiu 72. No mês seguinte, foram 67 admissões contra 79 desligamentos. E em maio, o saldo novamente foi negativo: -33.
Já em janeiro e abril, o Caged contabilizou saldos de 42 e sete, respectivamente. No primeiro mês do ano, a Construção Civil contratou 434 pessoas e demitiu 392. Três meses depois, foram 65 contratações, contra 58 desligamentos.
No mesmo período do ano passado, apenas o mês de abril conseguiu um saldo positivo: sete. Naquele período, foram contratadas 65 pessoas e demitidas 58.
Em janeiro, os 81 trabalhadores contratados foram demitidos; em fevereiro, o saldo foi de -25; em março, -16; e em maio, -8.
O segundo semestre de 2008 e de 2007 mostrou os ‘altos e baixos’ do setor. Em julho, o saldo foi de 19 empregos com carteira assinada; em agosto, -19; em setembro, -22; em outubro, -15; em novembro, -48; e em dezembro, -62.
Analisando os seis últimos meses de 2007, julho (saldo de 53), agosto (saldo de 22) e dezembro (saldo de 24) foram bem. Já em setembro (saldo de -12), outubro (saldo de -30) e novembro (saldo de -10), as demissões foram mais significativas.

HÁ EXPLICAÇÃO?
Em Catanduva, muitas são as obras por todos os lados. Nesses locais, a quantidade de mão-de-obra é grande, para dar conta de tanto serviço. Então, por que os números mostram o contrário?
De acordo com o diretor do Sindicato da Construção Civil, Donizete Balsalove, muitos desses trabalhadores não possuem carteira assinada, continuam atuando como informais.
“Isso é visto com frequência quando visitamos as obras. Por isso, não se consegue contabilizar quantas pessoas realmente trabalham no setor”, comenta o diretor.
Além disso, outro fato que contribuiu para o maior número de demissões é que, geralmente, no começo do ano, as obras são finalizadas e, consequentemente, os funcionários são dispensados.
“No segundo semestre, o contexto é outro. Passou a fase de pagar as contas adquiridas no começo do ano e as pessoas investem mais em obras, alavancando o setor”, afirma Balsalove.
Atualmente, muitas empresas estão procurando mão-de-obra, mas estão com dificuldades para encontrar os profissionais.
“Armador e carpinteiro são os profissionais mais difíceis de serem encontrados no mercado. São trabalhos que exigem muita força física e não são todos que estão dispostos a aceitá-los, por isso, partem para outros meios”, destaca o diretor do sindicato.
Com os incentivos do governo, a expectativa é que o setor trabalhe a todo vapor neste segundo semestre.
“O pessoal está contente com as novas medidas do governo”, finaliza.

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