Região
AÇÚCAR EM ALTA
Presidente da Única esteve em Catanduva e falou sobre o mercado
quinta, 14 de maio de 2009, 18:30
Por: Lívia Gandolfi
A Associação dos Produtores de Açúcar, Álcool e Energia (Biocana) realizou o 2º Seminário de Agroenergia da Cana-de-Açúcar: Perspectivas para Safra 2009/2010, na manhã de ontem.
O evento, segundo o presidente da Biocana, Luciano Sanches Fernandes, é um momento de integração entre as associadas da instituição e seus parceiros.
“Fizemos um demonstrativo do que foi realizado na safra passada e as perspectivas para este ano”, explica.
O ‘carro-chefe’ da safra deste ano deve ser o açúcar, cuja produção deve crescer até 15% na comparação com o ano passado, saindo de 62 milhões de saca para 70 milhões de saca.
“Os preços estão subindo e a demanda pelo produto está grande, uma vez que a Índia está produzindo pouco e comprando bastante açúcar. Acredito que o Brasil vai aproveitar esse time do mercado para melhorar o faturamento das empresas”, destaca o presidente da Biocana.
Além disso, as 18 usinas associadas à Biocana devem moer cerca de 49 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, quatro milhões a mais que na safra 2008/2009.
O álcool, assim como na safra passada, deve atingir quase os dois bilhões de litros.
ÚNICA
Quem também esteve presente no evento da Biocana foi o presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), Marcos Jank, que traçou um panorama geral sobre o setor.
Na opinião dele, a safra 2009/2010 começa com uma dificuldade grande, em decorrência da crise financeira, e com muitas empresas bastante endividadas.
“Por outro lado, quando olhamos para os fundamentos do mercado, vemos que o preço do açúcar está e continuará subindo, pela falta do produto no mercado externo. A frota flex continuará crescendo, mesmo com a estimativa de queda nas vendas de carros, pois hoje 90% dos veículos vendidos são flex”, avalia Jank.
Segundo ele, as usinas continuam sofrendo com a dificuldade na liberação de crédito. Para ele, o problema continua sendo o etanol, que está com preços deprimidos, não remuneradores.
“Para tentar resolver esse problema, nós conseguimos um programa de estocagem, junto ao governo federal, para que as empresas tirem o etanol do mercado, nesse começo de safra, e recebam um financiamento para isso, recolocando o produto no mercado durante a entressafra. É um programa que foi aplicado outras vezes, já passou por todos os trâmites em Brasília e no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e esperamos que o dinheiro chegue ao produtor”, afirma.
Questionado sobre a possibilidade de faltar produto no mercado e consumidor pagar mais caro por isso, ele acredita que esse fato não deve gerar preocupação.
“Na realidade, o programa de estocagem não deve interferir no preço do produto, pois o produtor vai retirar o excesso do álcool neste momento, em que está começando uma safra recorde de novo”, ameniza o presidente da Única.
Quanto ao mercado externo, Jank conta que os escritórios da Única estão trabalhando para abertura do mercado do etanol nos Estados Unidos e na Europa.
“Na semana passada, recebemos a notícia que o etanol da cana passou nos testes de qualidade de combustível de baixo carbono americano e, agora, vai ser misturado na gasolina para reduzir as emissões de gás carbônico nos Estados Unidos. Isso é um vetor importante para termos acesso aos países ricos do mercado, que ainda possuem tarifas protecionistas”, destaca.
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