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Opnião

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Editorial: Carga pesada

Ao País só interessam ricos e pobres. Esta é a impressão que dá, se forem computadas as medidas para resguardar os direitos da chamada classe média e sua devida manutenção por meios próprios. Os ricos porque são os que garantem mais dividendos e os pobres para manipularem à vontade. Pois bem, uma disparidade a cobrança de impostos deste pessoal que fica no limite entre o pobre e o rico, mas que nunca sai do lugar. Mensalmente vê descontado um absurdo de impostos no seu contracheque e não pode reclamar. Ai se o fizer. Dentre outros, é chamado de ignorante, por não saber fazer as contas do que ganha. Pois bem, levantamento feito pela consultoria Ernst & Young Terco aponta a classe média como a que mais sofre com a defasagem na correção da tabela do IR (Imposto de Renda), que acumula variação de 34,17% de 1998 a 2011, de acordo com a companhia. Segundo o estudo, um trabalhador que tinha como base de cálculo mensal para imposto de renda, em 1998, R$ 1.801, era tributado à alíquota de 27,5%. Com isso, pagava, mensalmente, R$ 135,28 de imposto. Com os valores atualizados até 2011, de acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), esse mesmo trabalhador ganharia o equivalente a R$ 4.465,01 e pagaria de IR, mensalmente, R$ 471,35. No entanto, se os valores da tabela tivessem sido corrigidos de acordo com a inflação do período, ele pagaria 44% a menos de Imposto de Renda em 2012, já que incidiria a alíquota de 22,5%: R$ 263,81.  Isso mesmo, e poderia respirar um pouco mais aliviado. Trabalhar feito camelo, mês a mês e ver o seu dinheiro sendo entregue ao governo, sem nada em troca, é para tirar o sorriso da cara de qualquer um. E depois falam em ter alegria disso e daquilo... Oras, deixemos de ser hipócritas, né? Quem é que pode ser feliz, se deixa quase um terço do seu salário para impostos? Qualquer um se revolta, pois sente no bolso algo lhe sendo tirado, quando poderia estar ajudando outro membro da família, ou então pensando em viajar, ou então, ainda, em melhorar o aspecto da casa, do carro... não falta lugar para empregar esse dinheiro. Só não é justo continuarmos com a carga toda nas costas.

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