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Opnião

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Artigo: Diretas sempre!

Há invariavelmente uma história para se contar, quando não causos nossos ou dos outros. Pois bem, estava eu a descer as escadarias da estação do  metro, em São Paulo, ali em frente da Catedral aquela obra magnífica e eu de encontro com a multidão esbaforida.

Catracas livres, empresas fechadas,  ponto do funcionário   público abonado , sindicalistas, fones e megafones,  anunciavam Diretas já...diretas já...já...já!!!. Participem, venham e seguia uma fieira de nomes de  artistas populares tudo de graça; de gracinha mesmo, acreditem.  Era 16 de abril de  1984, uma  segunda-feira daquelas que o pais precisa produzir e toda oposição ao regime militar estava lá, cercada pelos mais populares cantores  brasileiros, desde os românticos  aos sertanejos, não me lembro de opera: não sei,  não assisti, não fiquei para a festa.

Prenúncio de que todas as correntes políticas em êxtase convergiriam  em frenética simbiose  a uma convivência que o tempo  mostrou  não ter sido boa para a justa causa que o evento enaltecia e motivo maior da popularesca festança, ali comemorada.

Naquele momento,  em sã consciência ninguém reprovaria  a redemocratização e o clímax que por acaso testemunhei. Aliás, as mais diversas intervenções militares e Duques de Caxias é o símbolo maior deles, por isso o Título de Pacificador, ocorreram  pelo chamamento popular. Em 1963, houve conclamação popular ante o perigo da implantação do regime comunista que motivou a volta dos militares, mais uma vez ao poder.

O conceito da tripartição do poder e  de seu alcance pelo sufrágio universal do voto e toda gama de direitos consagrados pela Revolução Francesa e tão bem sintetizados por Montesquieu, Rousseau e outros pensadores, inebriou e ainda contagia individualmente o  homem civilizado.

Entretanto a distorção dos nobres princípios democráticos  pela manipulação vã, rasteira e inescrupulosa, por método perverso desenvolvido pelos bolchevistas/trotskistas, permeada  pelo sentimento anarquista, onde os fins justificam os meios, haverá de ter um basta porque o ambiente social   está saturado.

Em fevereiro de 1980, designado para trabalhar em José Bonifácio/SP; ainda Tenente, comando  que era de Capitão, exercido  interinamente por três anos, com pequeno interregno, decidi  assinar um dos  jornais mais expressivos do país. À época iniciava o curso de direito, e além de meditar sobre o exercício da responsabilidade assumida com as dezessete pequenas comunidades,  idênticas às que vivi na infância, restou-me tempo para reler Vida de Jesus, por Plínio Salgado;   meditar em muitas outras obras como Arquipélago de Gulag, de Alexander Soljenitsin, exílio e cadeia para dissidentes dos bolchevistas;  Luneta Mágica de Joaquim Manoel  de Macedo. Dela,  usei para fitar os atos dos arautos da democracia brasileira, via grande imprensa e experiências pessoais, intensamente.

Lamento que os procedimentos de grande parte daqueles que estavam no palanque foi decepcionante, a comprovar os vinte e sete anos que se foram, mormente os últimos dez.  A ressaltar que o regime democrático  jamais foi questionada pelos militares, tanto que foram cinco os presidentes generais e não um, como em Cuba, escola da maioria de nossos pseudos democratas.

Então ao descer aquelas escadas, o fiz sob reflexão/constatação de que o pão e o circo estava ali, bem  palpável.  Aquelas  pessoas, em sentido inverso, subiam as escadas com os olhos esbugalhados, como o do fanático torcedor que vê seu time entrar em campo em dia de decisão: Fafá de Belém; Socrates; Osmar Santos, Chico Buarque e tantos outros,  metro livre; folga do trabalho em plena segunda-feira,  isto sim é um feriado prolongado, além da indução e  dos patrões: este show não posso perder e ele estava para começar.

Enquanto isso, as notícias sérias do momento estampavam que a eleição seria decidida por acordo das lideranças;  sendo que   os protagonistas  começavam a se a articular e assim de deu de forma indireta.

Também os fatos históricos não nos encantavam muito, posto que Napoleão desencadeou  os mais sangrentos combates em nome de levar os conceitos revolucionários  a outros povos. A história da humanidade é pródiga em criar mitos em  todo extrato social e repetir fatos e diria: “de tolo e ditador todo humano tem um pouco”.

Em verdadeira simbiose, que consiste na compatibilidade de corpos estranhos e na política brasileira também da doutrina e princípios que são desprezados, e pior utilizados à conveniência e oportunidade de sucesso pessoal.  O eco das “Direta já”, continua;  nas principais esferas do poder e ouvi de  instrutores de líderes políticos em profusão: “fui preso.....” aquela época foi difícil...não podemos esquecer dela...”! Esta condição funcionou como passaporte político e são repetidas com   entusiasmo  as mesmas catilinárias  do palanque de 84 que perduram até hoje e dá-lhe comissão da verdade;  dá-lhe indenização;   dá-lhe corrupção; dá-lhe rasteira.

O que mudou, onde está a democracia? Os trinta partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral dão conta da confusão por que passa o país. Diríamos que mudou a forma de ascensão ao poder, pois as condutas  eivadas de denúncias gravíssimas de privilégios e mais  privilégios, anos a fio, sem ao menos notícia de providências; auto aumento de salários, propina, corrupção corroendo os valore intrínsecos; pobreza  de espírito nos atos,  uma heresia.

Quais são os valores deles. Quem são eles?

Como camaleões, se adaptam a tudo e aceitam a todos, desde que continuem no palanque com polpudas verbas. Quais os  valores que os regem: os de momento que derem mais votos com certeza, inclusive de pensões  e de indenizações a se questionar; rever  e repor um dia...?

Ao segurar a Bandeira Olímpica, expoente líder política brasileira, dissidente dos governantes atuais  que é de uma geração pós guerrilha, deixa um alento à nação de superarmos o ranço destes tempos atuais, imiscuídos de rancor e de conceitos radicais a contemplar oportunistas/marqueteiros na  conquista do poder, aproveitando-se da confusão de valores fruto da excessiva liberalidade e libertinagem reinante, onde o dar dinheiro sem contrapartida passou a ser uma virtude rumo ao voto certo, sem qualquer questionamento que perpetua no poder inescrupulosos de toda ordem.

Cuidar da riqueza abundante da nação constitui-se num dever estatal, quando se faz  bem enobrece o governante. Entretanto a maior riqueza de um país é a pessoa humana e não são migalhas ao menos favorecidos que fará evoluir sua gente.

Há de fundamental  o fortalecimento do caráter do homem. Esse atributo  não se conquista com bravatas; maus exemplos; negociatas baratas e rasteiras., vide: (dinheiro na cueca, aloprados, mensalão). Há que se rever conceitos, urgentemente.

Diretas sempre: desde 1789 no mundo ocidental foi a tônica, com raras exceções que a queda do Muro de Berlim pôs fim. Grandes celebrações acontecem rotineiramente: carnaval; futebol; virada de ano; paradas na Paulista, dinheiro abundante para foguetório. Alegria incontida, fútil de quem no dia seguinte será vítima de bandidos.

Por que   o palanque não haveria de estar cheio!!!

Jogo de cena nada mais... São campeões nisso, até quando  depende de todos nós.

Diretas sempre: seja da direita, do centro ou da esquerda, de todos enfim:         na corrupção; na disseminação das drogas,  nos privilégios. Disso é que precisamos no momento!  

Catanduva, 03 de agosto de 2012

José Carlos Xavier

Administração Policial     Militar,

Advogado

Email:cpa.xavier@ig.com.br

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