NOTÍCIA AO VIVO
Há invariavelmente uma história para se contar, quando não causos nossos ou dos outros. Pois bem, estava eu a descer as escadarias da estação do metro, em São Paulo, ali em frente da Catedral aquela obra magnífica e eu de encontro com a multidão esbaforida.
Catracas livres, empresas fechadas, ponto do funcionário público abonado , sindicalistas, fones e megafones, anunciavam Diretas já...diretas já...já...já!!!. Participem, venham e seguia uma fieira de nomes de artistas populares tudo de graça; de gracinha mesmo, acreditem. Era 16 de abril de 1984, uma segunda-feira daquelas que o pais precisa produzir e toda oposição ao regime militar estava lá, cercada pelos mais populares cantores brasileiros, desde os românticos aos sertanejos, não me lembro de opera: não sei, não assisti, não fiquei para a festa.
Prenúncio de que todas as correntes políticas em êxtase convergiriam em frenética simbiose a uma convivência que o tempo mostrou não ter sido boa para a justa causa que o evento enaltecia e motivo maior da popularesca festança, ali comemorada.
Naquele momento, em sã consciência ninguém reprovaria a redemocratização e o clímax que por acaso testemunhei. Aliás, as mais diversas intervenções militares e Duques de Caxias é o símbolo maior deles, por isso o Título de Pacificador, ocorreram pelo chamamento popular. Em 1963, houve conclamação popular ante o perigo da implantação do regime comunista que motivou a volta dos militares, mais uma vez ao poder.
O conceito da tripartição do poder e de seu alcance pelo sufrágio universal do voto e toda gama de direitos consagrados pela Revolução Francesa e tão bem sintetizados por Montesquieu, Rousseau e outros pensadores, inebriou e ainda contagia individualmente o homem civilizado.
Entretanto a distorção dos nobres princípios democráticos pela manipulação vã, rasteira e inescrupulosa, por método perverso desenvolvido pelos bolchevistas/trotskistas, permeada pelo sentimento anarquista, onde os fins justificam os meios, haverá de ter um basta porque o ambiente social está saturado.
Em fevereiro de 1980, designado para trabalhar em José Bonifácio/SP; ainda Tenente, comando que era de Capitão, exercido interinamente por três anos, com pequeno interregno, decidi assinar um dos jornais mais expressivos do país. À época iniciava o curso de direito, e além de meditar sobre o exercício da responsabilidade assumida com as dezessete pequenas comunidades, idênticas às que vivi na infância, restou-me tempo para reler Vida de Jesus, por Plínio Salgado; meditar em muitas outras obras como Arquipélago de Gulag, de Alexander Soljenitsin, exílio e cadeia para dissidentes dos bolchevistas; Luneta Mágica de Joaquim Manoel de Macedo. Dela, usei para fitar os atos dos arautos da democracia brasileira, via grande imprensa e experiências pessoais, intensamente.
Lamento que os procedimentos de grande parte daqueles que estavam no palanque foi decepcionante, a comprovar os vinte e sete anos que se foram, mormente os últimos dez. A ressaltar que o regime democrático jamais foi questionada pelos militares, tanto que foram cinco os presidentes generais e não um, como em Cuba, escola da maioria de nossos pseudos democratas.
Então ao descer aquelas escadas, o fiz sob reflexão/constatação de que o pão e o circo estava ali, bem palpável. Aquelas pessoas, em sentido inverso, subiam as escadas com os olhos esbugalhados, como o do fanático torcedor que vê seu time entrar em campo em dia de decisão: Fafá de Belém; Socrates; Osmar Santos, Chico Buarque e tantos outros, metro livre; folga do trabalho em plena segunda-feira, isto sim é um feriado prolongado, além da indução e dos patrões: este show não posso perder e ele estava para começar.
Enquanto isso, as notícias sérias do momento estampavam que a eleição seria decidida por acordo das lideranças; sendo que os protagonistas começavam a se a articular e assim de deu de forma indireta.
Também os fatos históricos não nos encantavam muito, posto que Napoleão desencadeou os mais sangrentos combates em nome de levar os conceitos revolucionários a outros povos. A história da humanidade é pródiga em criar mitos em todo extrato social e repetir fatos e diria: “de tolo e ditador todo humano tem um pouco”.
Em verdadeira simbiose, que consiste na compatibilidade de corpos estranhos e na política brasileira também da doutrina e princípios que são desprezados, e pior utilizados à conveniência e oportunidade de sucesso pessoal. O eco das “Direta já”, continua; nas principais esferas do poder e ouvi de instrutores de líderes políticos em profusão: “fui preso.....” aquela época foi difícil...não podemos esquecer dela...”! Esta condição funcionou como passaporte político e são repetidas com entusiasmo as mesmas catilinárias do palanque de 84 que perduram até hoje e dá-lhe comissão da verdade; dá-lhe indenização; dá-lhe corrupção; dá-lhe rasteira.
O que mudou, onde está a democracia? Os trinta partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral dão conta da confusão por que passa o país. Diríamos que mudou a forma de ascensão ao poder, pois as condutas eivadas de denúncias gravíssimas de privilégios e mais privilégios, anos a fio, sem ao menos notícia de providências; auto aumento de salários, propina, corrupção corroendo os valore intrínsecos; pobreza de espírito nos atos, uma heresia.
Quais são os valores deles. Quem são eles?
Como camaleões, se adaptam a tudo e aceitam a todos, desde que continuem no palanque com polpudas verbas. Quais os valores que os regem: os de momento que derem mais votos com certeza, inclusive de pensões e de indenizações a se questionar; rever e repor um dia...?
Ao segurar a Bandeira Olímpica, expoente líder política brasileira, dissidente dos governantes atuais que é de uma geração pós guerrilha, deixa um alento à nação de superarmos o ranço destes tempos atuais, imiscuídos de rancor e de conceitos radicais a contemplar oportunistas/marqueteiros na conquista do poder, aproveitando-se da confusão de valores fruto da excessiva liberalidade e libertinagem reinante, onde o dar dinheiro sem contrapartida passou a ser uma virtude rumo ao voto certo, sem qualquer questionamento que perpetua no poder inescrupulosos de toda ordem.
Cuidar da riqueza abundante da nação constitui-se num dever estatal, quando se faz bem enobrece o governante. Entretanto a maior riqueza de um país é a pessoa humana e não são migalhas ao menos favorecidos que fará evoluir sua gente.
Há de fundamental o fortalecimento do caráter do homem. Esse atributo não se conquista com bravatas; maus exemplos; negociatas baratas e rasteiras., vide: (dinheiro na cueca, aloprados, mensalão). Há que se rever conceitos, urgentemente.
Diretas sempre: desde 1789 no mundo ocidental foi a tônica, com raras exceções que a queda do Muro de Berlim pôs fim. Grandes celebrações acontecem rotineiramente: carnaval; futebol; virada de ano; paradas na Paulista, dinheiro abundante para foguetório. Alegria incontida, fútil de quem no dia seguinte será vítima de bandidos.
Por que o palanque não haveria de estar cheio!!!
Jogo de cena nada mais... São campeões nisso, até quando depende de todos nós.
Diretas sempre: seja da direita, do centro ou da esquerda, de todos enfim: na corrupção; na disseminação das drogas, nos privilégios. Disso é que precisamos no momento!
Catanduva, 03 de agosto de 2012
José Carlos Xavier
Administração Policial Militar,
Advogado
Email:cpa.xavier@ig.com.br
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