NOTÍCIA AO VIVO
O Projeto de Lei aprovado pelo Congresso Nacional que proíbe a prática de castigos físicos em crianças e adolescentes, bem mais conhecida com “lei da palmada”, tem sido ponto alto de discussão entre várias pessoas.
Já ouvi muitas opiniões sobre o assunto, desde aqueles que são totalmente contrários, até mesmo aqueles que defendem com bastante conteúdo e exemplos concretos de violência no lar, a necessidade da Lei.
Entretanto, antes de tudo, como bem disse a Deputada Teresa Surita, relatora do projeto de Lei, é necessário conhecer esta lei e perceber qual sua verdadeira intenção.
Confesso que eu mesmo antes de ler a entrevista desta deputada, e antes mesmo de conhecer a lei, estive em algumas conversas criticando tal projeto, porém nas palavras da Deputada, relatora do projeto de Lei, pude perceber que a intenção maior desta “Lei da Palmada” não é interferir na educação familiar a ponto de tirar a autoridade dos pais. O que este projeto vem tentar eliminar é a violência física, a agressão contra crianças e adolescentes, evitando qualquer forma de tratamento cruel e degradante.
São inúmeras as crianças que chegam até os hospitais vítimas de violência doméstica, com queimaduras, fraturas, mesmo nas escolas os educadores percebem muitas marcam nas crianças, que não ficarão somente um tempo presas ao seu corpo mas para sempre existirão em sua memória
Porém diante de toda esta discussão não podemos pensar que somente com esta Lei a questão da educação estará pronta e acabada; nós bem sabemos que antes de tudo a autoridade dos pais devem prevalecer com relação aos filhos. Autoridade esta, que na minha opinião, pode também, se os pais julgarem necessário, ser feita com pequenas palmadas – nunca confundidas com violência – mas o que não pode faltar é a autoridade dos pais com relação aos filhos.
Antigamente contavam nossos avós que um “olhar do Pai” bastava para se educar um filho, mas não podemos esquecer que os tempos mudaram, e crianças pequenas de 8 ou 10 anos, com acesso a muitas informações, acabam por confrontar os pais ou educadores quando são corrigidos, chegando a proferir a ameaça de entregá-los a polícia.
Pior ainda é quando os filhos mandam nos Pais, quando estes não conseguiram adquirir a autoridade necessária, seja por meio de castigos, ou diálogo, e deixam os filhos comandarem , decidirem por si seus caminhos, mesmo não tendo capacidade ou idade para tais decisões.
Se a violência no lar é grande crime contra nossas crianças e adolescentes, a falta de limites e educação para as mesmas crianças também é um crime de igual ou pior conseqüências.
Se é tempo de coibir toda violência praticada nos lares brasileiros, e a “Lei da Palmada” quer ser este importante auxilio de informação, é também momento de se propor caminhos para que se eduquem os filhos. O castigo, eu particularmente acho um caminho mais do que necessário, pois a criança é levada a refletir, pensar, e muitas vezes a perder alguma coisa, por ter praticado algo de errado.
O castigo de não assistir TV, ou não sair de Casa, ou não usar o computador, enfim, numa infinidade de formas, e sempre acompanhado do diálogo, tem se mostrado uma belíssima forma de educar sem usar da violência desnecessária.
Porém, como meu exemplo de vida, venho dizer que meus Pais usaram sim da Palmada, sempre nas pernas onde doía, mas educava. E neste momento digo por mim: agradeço a Deus por eles terem colocado limites na minha vida, e se hoje aos 30 anos ui preservado de muitas coisas ruins, é por causa da educação que eles conseguiram me dar. Eu nunca fiquei traumatizado por ter levado algumas palmadas na minha infância e adolescência, talvez outras pessoas poderiam ter ficado...
Todavia não podemos deixar de lado nossa missão de Educar, já que estamos refletindo sobre o que não podemos fazer: violência, espancamento, agressão desmedida contra nossos filhos, por outro lado não podemos deixar a missão de pais: EDUCAR, impondo os limites e mostrando aos filhos o Mal que deve ser evitado e o Bem que precisa ser feito. Pais sem autoridade não educam, pois fogem da sua missão.
Jonas Pimentel
Pároco da Igreja Santa Adélia
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