Catanduva, quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Opinião

Sobre medidas doces

“Em setembro, esses empreendimentos chegaram a 21 meses de faturamento no vermelho, acumulando somente nos primeiros nove meses deste ano perdas de R$ 68,3 bilhões, na comparação com a receita obtida no mesmo período de 2015”

publicado em 29/11/2016 às 07:45

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Em recente discurso para senadores, o presidente da República Michel Temer reiterou que a recessão econômica que vivemos é ‘extremamente preocupante’, e que para tirar o país deste quadro não se pode ter a ilusão de que ‘medidas simplesmente doces’ vão resolver. São, de fato,  necessárias medidas amargas, às vezes muito amargas, para combater os déficits anormais das contas públicas que herdamos dos governos passados: R$ 170 bilhões neste ano e a previsão de R$ 139 bilhões para 2017. 
Ele se referia à importância da aprovação da PEC 241 - hoje PEC-55 no Senado Federal -, que limita o crescimento dos gastos públicos à inflação, e da reforma da Previdência.
Essas medidas são prioritárias e fundamentais para recuperar nossa economia e recolocá-la nos trilhos do crescimento. A redução e o controle de gastos do governo são imprescindíveis para o retorno da confiança e, com ela, o retorno dos investimentos. 
Mas é preciso olhar para o futuro e ir além. Se o déficit das contas do governo é gigante, gigantes também são os rombos deixados no setor privado pela crise nos últimos anos.
Vamos ficar apenas no exemplo dos pequenos negócios, colchão social de nossa economia, responsável por mais de 52% da mão de obra ocupada com carteira assinada e 29% do Produto Interno Bruto (PIB). Em setembro, esses empreendimentos chegaram a 21 meses de faturamento no vermelho, acumulando somente nos primeiros nove meses deste ano perdas de R$ 68,3 bilhões, na comparação com a receita obtida no mesmo período de 2015.  Nestes quase dois anos de enfrentamento da crise, esses empreendedores fizeram ajustes na produção, negociaram com fornecedores e melhoraram gestão, a fim de sobreviver e segurar os empregos. Agora, começam a demitir, pois não tem mais onde cortar. Medidas amargas.
Mas, nem por isso, o desalento tomou conta desses batalhadores. Pelo sexto mês consecutivo, as expectativas dos pequenos empresários e microempreendedores individuais com relação à atividade econômica e ao faturamento de suas empresas só faz aumentar: mais de 40% acreditam que até o final do primeiro semestre de 2017 a situação vai melhorar. Reflexo claro de que apostam no sucesso das medidas não tão doces assim que governo está tomando. E esperam mais.
As medidas que estão aí anunciadas e prestes a ser votadas são essenciais, mas outras precisam entrar na pauta de nossos governantes, deputados e senadores, a fim de garantir ao setor privado plenas condições para que produzam, gerem postos de trabalho e renda. Não é fácil vencer esse desafio quando convivemos com uma das maiores cargas tributárias do mundo, cerca de 33% do PIB, que em valores monetários está em mais de R$ 2 trilhões. Fica mais difícil ainda pela fato de estarmos num país que tem uma das mais altas taxas de juros do planeta. Isso sem falar dos excessos da burocracia, que nos fazem desperdiçar 2,6 mil horas/ano somente para pagar impostos e taxas.
É preciso atacar esses problemas com disposição e coragem, que não faltam aos pequenos empreendedores desse país. Nossos representantes, em todas esferas de governo, precisam se espelhar nesses milhões de empreendedores que, mesmo acumulando perda de faturamento há quase dois anos, não tiveram receio de adotar as medidas amargas necessárias, fizeram os ajustes necessários e continuam acreditando no restabelecimento do ciclo virtuoso do crescimento para o Brasil.

Paulo Skaf
Presidente
SEBRAE-SP
Site: samuelferreira.biz

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