Catanduva, sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Opinião

Insignificantes?

"No entanto, adianta o articulista, o sol não é muito diferente de outra estrela e nossa galáxia não passa de uma entre milhões."

publicado em 27/11/2016 às 07:45

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Tenho comigo que os melhores artigos, quando publicados em seções distintas dos jornais, são aqueles que contém citações de autores conhecidos, que respaldam ou dão veracidade ao conteúdo.
As citações valorizam o assunto tratado e, ao mencioná-las, o autor dá substância às suas considerações e reforça seu ponto de vista sobre o tema que abordou.
Porém, se o articulista não cita a fonte de onde recolheu a opinião, que transcreveu para valorizar seu artigo, fica-nos a impressão de que foi praticado um furto de obra ou o autor está valorizando de forma indevida seu trabalho.
Na edição do último domingo do “ESTADÃO”, o renomado biólogo, Fernando Reinach, espicaçou minha curiosidade, publicando instigante artigo sobre a presença do ser humano na face da Terra, ao salientar, que, até ontem, acreditávamos que vivíamos no centro do universo, filhos especiais de Todo Poderoso, capazes de controlar nosso destino. 
No entanto, adianta o articulista, o sol não é muito diferente de outra estrela e nossa galáxia não passa de uma entre milhões.
Ao observar outros animais, constatamos que não somos os únicos. Também, eles têm quatro membros, útero, placenta, glândulas mamárias e tudo ou mais. E o processo de criação é praticamente idêntico.  
Descobrimos que, nas espécies, a extinção é a regra e tudo indica que caminhamos nesta direção, talvez com a duvidosa glória de levar conosco grande parte da vida no planeta.
E, para maior surpresa, há, também nos animais, macacos, pássaros e na maior parte da bicharada, quatro membros, útero, placenta, glândulas mamárias e quase tudo isso relacionado, o que foi comprovado por Darwin e diversos autores naturalistas, inclusive inúmeros biólogos.
Surgimos na face da Terra antes de ontem, acrescentando mais uma espécie às semelhantes a nós, que já existiam e que, na sua grande maioria, já desapareceram. 
A nossa cultura, de que tanto nos alardeamos e fazemos praça para justificar nossa diferença de outros animais, vem sofrendo repetidos abalos, pois, também os animais, por nós considerados irracionais, (macacos, pássaros, etc.), usam utensílios, se comunicam e transmitem conhecimento à prole, além de evidentes manifestações de solidariedade e altruísmo.
Também nós, seres humanos, não escolhemos lugar para nascer. Tanto pode ser em New York ou na China, ou nos confins da África, e isso é determinante quanto à vida que vamos levar. Assim também, sem o saber, temos propensão às doenças que independem das nossas escolhas. Elas surgem inesperadamente e com funestos resultados, causando quase sempre terror e consequências. 
São os genes e o ambiente em ação, determinando nosso futuro... 
As características do nosso sistema sensorial independem que o nosso cérebro aja como um morcego, que se move guiado pelo eco, pois, nosso cérebro tem limites de processamento, já que não consegue lidar com mais de duas variáveis, de cada vez. Privilegiamos o passado e o futuro recente e geralmente erra, quando pressionado.
É comum também errarmos quanto aos nossos sentimentos, apesar do instinto de conservação se manifestar sempre a favor da sobrevivência.
Que dizer, então, da fome, da agressividade, da sexualidade, da proteção dos filhos? Tais itens exercem poderosa influência e limitam nossas escolhas.
O cérebro controla grande parte do nosso corpo. Sem nossa interferência, na maioria das vezes, inconscientemente, nós nos guiamos por ele e não pelo tão falado livre arbítrio. 
O eminente autor finaliza suas ideias com excelente otimismo, mencionando que o ser humano dispõe da ciência, que nos faz conhecer o mundo e, este, por sua vez, destrói ilusões. Apesar de sabermos que somos insignificantes e sem controle, conseguimos, em muitos momentos, ser felizes. 
E, finaliza, não será a felicidade algo criado em nosso cérebro para impedir a morte antes da idade reprodutiva? 
Concordamos e não resta dúvida de que, com sua excepcional capacidade, Fernando Reinach não só valorizou como enobreceu a presença do ser humano na face da Terra.  Cabe-nos refletir sobre suas conclusões, e também confirmar esta sua bela dedução. 
 
Antônio Celidônio Ruette 
Cidadão catanduvense
Presidente do Clube de Xadrez.

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