Catanduva, quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Opinião

Dia De Doar Para A Cultura

" Quando entramos neste campo, parece quase impossível conseguir colaborações de indivíduos."

publicado em 29/11/2016 às 07:45

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A população brasileira se mostra muito mais propensa à doação do que poderíamos imaginar. Realizada em junho pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), uma pesquisa sobre o perfil dos doadores no Brasil revela um quadro que contraria o senso comum: em 2016, 77% dos entrevistados fizeram algum tipo de doação; 52% declararam ter doado dinheiro e, desses, 36% fizeram doações mensais.
Em diversos países, 29 de novembro celebra o Dia de Doar e, pelo quarto ano consecutivo, o Brasil adere ao movimento global para ampliar a cultura de doação. Mas como, efetivamente, fazer isso? As respostas dos 48% dos brasileiros que não fazem doações fornecem pistas valiosas: desses, 47% afirmaram que “resolver problemas sociais é responsabilidade do governo”; 45% dizem não confiar nas organizações que pedem recursos; 40% mencionam que é complicado fazer uma doação. E, o mais óbvio: 35% disseram que não têm dinheiro. 
Para a cultura, a situação é ainda mais complicada. Quando entramos neste campo, parece quase impossível conseguir colaborações de indivíduos. A pesquisa do IDIS mostra que o tema sequer consta na lista de causas sensibilizadoras (encabeçada por “saúde”, “criança” e “combate à fome e à pobreza”). E pesa a imagem que se tem do apoio governamental para a área, suporte que não existe em países como os EUA, onde atividades culturais dependem quase que exclusivamente da contribuição de cidadãos comuns ou de fundações ligadas a grandes fortunas. 
O que faria, então, a opinião pública brasileira sentir um pouco mais de simpatia pela causa? Quando analisamos as respostas dos entrevistados sobre suas motivações ao doar, vemos que 89% dão uma resposta direta e livre de julgamentos prévios: “porque me faz bem”. Quando o cidadão paga seu imposto, não tem o menor controle sobre o uso do recurso que foi subtraído dos seus vencimentos mensais. Não conheço pesquisas sobre o nível de satisfação da população em relação à destinação de seus impostos, mas é provável que a balança penda para o lado da insatisfação total. Ao fazer uma doação, pelo contrário, o doador “se sente bem” porque está contribuindo diretamente para o sucesso de uma atividade que julga importante, agindo deliberadamente para equilibrar oportunidades. Nesse sentido, as atividades culturais têm muito a colaborar. 
Já se falou amplamente sobre o lugar da cultura como um direito fundamental na vida de qualquer pessoa. Isso, além de um direito, é uma necessidade. Basta pararmos para pensar nas muitas formas de aliviar um cotidiano pesado: certamente, ouvir música, ler um livro, ver um filme ou ir a um espetáculo estão nessa lista. Além do aspecto da fruição individual, a arte propicia momentos de convívio coletivo que são recompensadores e prazerosos. Todo homem precisa de alimentação, moradia, saúde e segurança. Mas há outras necessidades, aparentemente abstratas, que podem ser supridas pela cultura. Na sua falta, a vida se torna árida e sem cor. 
Doando para a cultura, também nos sentimos bem, pois fazemos escolhas sobre que tipo de bem-estar queremos potencializar, tornando-o acessível a um número maior de pessoas. Os instrumentos para doar são muitos: incentivos fiscais, plataformas on-line, crowdfunding, doações diretas com boleto, cartão de crédito, cartão de débito, ou até em dinheiro. Não importa. Escolha o bem estar que quer dividir, encontre um instituição transparente e de confiança, e vá em frente. Hoje é dia de doar para a cultura, e amanhã também.

Alessandra Costa  
é diretora executiva da Organização Social de Cultura “Associação Amigos do Projeto Guri” e diretora presidente da Associação Brasileira das Organizações Sociais de Cultura.

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