Catanduva, segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Opinião

Saudade do Futebol Amador

As gangues que acompanham o futebol profissional hoje estão a demonstrar sua incontida violência”

publicado em 09/03/2014 às 09:44

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José Carlos Xavier

José Carlos Xavier

Por José Carlos Xavier
Conhecido de longa data, ao tomar um “mocha” bem quentinho ali no Café da Esquina, falávamos nós de futebol, quando lembramos de episódio pitoresco, eu e  o Professor Lige.
Comandante da 1ª. Companhia da Polícia Militar em Catanduva, recepcionei o Professor que, em nome da direção do Clube de Campo, requisitava policiamento. Com a implantação do radiopatrulhamento padrão, a meta era empregar o policial nesta atividade, suprimindo ao máximo outros serviços - então me dispus a apitar o jogo.
Apitei, dei sorte, acertei no lance capital, validando um gol decisivo em que a bola nem tocou a rede. Num escanteio, estava onde o árbitro deve estar. Além de constatar que não houve a falta pedida, ainda observei que a bola transpôs a linha. Em seguida, outro gol, 3x1 para o time que já era o mais forte; no 2º tempo, a temperatura esfriou.
Quando olhei para a geral, alguém da PM que assistia ao jogo havia pedido policiamento, temendo pela minha integridade física. Eu não estava preocupado, a represa, ao alcance. Era ponto de honra apitar aquela final sem policiamento. Tinha experiência suficiente para tal.
Durante dois anos fui técnico do time amador da ADPM em São José do Rio Preto. No primeiro, assumi o time em meio ao campeonato; ao término fiz uma reformulação e, além de acertar com os jovens que substituíram os medalhões, contei com quatro alunos soldados de uma escola recém-iniciada. Foi muito bom este ano, uma vitória seguida da outra. 
Fomos vice-campeões. Fim da escola, um mês antes da final, com os formandos transferidos para longe, não quis e nem devia misturar esporte com serviço. Fossem pontos corridos seríamos campeões, estávamos a uns dez pontos na frente do segundo colocado, dezesseis times, um campeonato disputadíssimo, turno e returno.
Em Catanduva, além de liderar a equipe que construiu a ADPM, aliás, campeã amadora da cidade sob a presidência do Ten PM e atleta Rui Barbosa, acompanhava as equipes esportivas. Limitado como atleta, preferia o banco. O esporte, uma paixão. O curso de Educação Física, um presente em minha vida.
Evidente que há mesmo esta saudade. Na última quarta-feira assisti Grêmio 1 x Batatais 0 na galera. Saudade daquele amistoso Batatais 2 x São Paulo 2, em 1958. Os atletas Poy, De Sordi, Gino, Barrela, Lizote, Silva, Dirceu, lembranças dessa turma toda aí.
Do futebol amador, além da saudade, a tristeza em constatar que as comunidades deixaram de realizar os campeonatos amadores pela deformação das pessoas nestes últimos trinta anos quanto a sua conduta, principalmente pelo generalizado uso de drogas, da libertinagem estimulada de forma equivocada e irresponsável, por algumas lideranças sociais e a desmoralização da autoridade no país, mormente do professor e do policial.
As gangues que acompanham o futebol profissional hoje estão a demonstrar sua incontida violência. Equipes de entidade de expressiva representatividade social não conseguem terminar seus jogos por falta de equilíbrio emocional dos atletas, uma negação da própria condição que exercem.
Equipes em clubes que se agridem gravemente ao ponto de se dissiparem. Fiz de tudo para que, sob minha orientação, não houvesse jamais incidente desta natureza - e não houve.
Como realizar campeonato amador? Inviável, uma pena. Os amantes do futebol lamentam...
Regredimos muito. Uma constatação.
 
José Carlos Xavier
Coronel PM, Advogado, Professor
http://trincheiradopoeta.blogspot.com.br

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